quarta-feira, julho 13, 2011

10.000 peças

Antigamente quando tudo se tornava escuro e negro, como um abismo,refugiava-me em minhas palavras. A dor parava de pulsar em mim e fluia para o papel, se tranformando em canções sem rima, falando sobre o que me machucava.
E eu perdi isso. Não sei como, nem em que momento. Apenas não sinto mais aquele alívio que eu sentia, e bem na verdade, agora, quando começo escrever me perco em meus pensamentos nublados e ali fico, tentando entender o que aconteceu comigo, aquela que sempre fora centrada e dona da verdade, hoje me vejo-me rodeada de bagunça e me parece que não há nenhum feixe de luz que me faça enxergar e perceber que estou indo no caminho certo.
Depois de tanto tempo sempre ouvindo as mesmas frases cliclês e sentimentos falsos, me acostumei com as mentiras e a ilusão de que tudo ficaria bem. Me acostumei a sempre correr o mundo todo por um meio sorriso e palavras vazias. Com o ar frio soprando sobre mim e sem ter aonde me refugiar.
E de tanto se importar, chorar e brigar com tudo e com todos por acreditar em ti, mesmo sabendo que em momento algum falava a verdade, eu perdi as forças, e perdi a vontade. Não há um motivo. E isso não significa que o amor que eu carrego dentro de mim diminuiu muito menos acabou. Apenas não consegui mais aguentar tudo isso sozinha, por nós dois.
Meu corpo está exausto e o espelho reflete total esgotamento. Olheiras visíveis me entregam, relatando que a noite que se passara, passei acordada com meus pensamentos turbulentos, que não pararam nem por um segundo sequer. Os lábios sérios, pouco se importanto se os outros repararam ou não, os lábios que cansaram de carregar um sorriso falso por muito, muito tempo. Olhos vazios, que ao olhar fixamente refletem desespero, cansaço e dor.
O coração permanece em mil pedaços, e a cada suspiro pareçe que vai se quebrar em outros milhares de pequenos pedaços. De tão vazio, consigo ouvir os próprios ecos, formando um pedido de socorro, que ninguém consegue ouvir, e as vezes, nem eu mesma consigo decodificar essa mensagem triste.
A verdade demorou pra vir, porém veio, dolorida, mais do que eu esperava. Tentei muitas vezes finjir que nada disso era de verdade, e que era apenas um pesadelo, que eu acabara de acordar. Mas, já sou bem grandinha para saber que antes a verdade que machuca, do que uma mentira que ilude. E tive que encarar e aceitar. Nos primeiros dias não fora fácil, e eu pensei incontáveis vezes em desistir no meio do caminho. E eu não sei como consegui forças para continuar. Hoje meu corpo, minha mente, e meu coração- frustrado- não sente mais tanto como nos primeiros dias.
Parei de fujir, como havia feito nesses ultimos mêses, e aos poucos, vou aceitando tudo isso. E as peças começam a se encaixar de tal forma que eu quase não tenho mais dúvidas de que fui enganada todo esse tempo. É como se estivesse montando um quebra- cabeça de 10.000 peças.
Me sinto frustrada, enganada, magoada. Não sei a palavra exata. Talvez nenhuma das que eu citei seja a certa.Sinto uma incessante vontade correr para a minha cama, e chorar. Estou tentando não derramar nenhuma lágrima,mas a cada pensamento e a cada peçinha que se encaixa nesse enorme quebra cabeça, sinto como se estivesse quebrada aos pedaços.
A única pessoa que você queria ter perto é a mesma que me destruiu,sem eu ver. Como pode, a pessoa amada ser a causadora da sua dor?.E no final, eu percebi que eu amei sozinha. Criei uma ilusão de que o mesmo que eu sentia, você correspondia da mesma forma. Quão inocente eu fora.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida.

Obrigado por postar sua opinião.
Retribuirei a visita.

beijiinhos